Eu queria abraçar.
Mas me faltam braços.
Queria receber abraços.
Mas me falta aconchego.
Queria escrever uma carta de amor.
E dizer, sim, que te amo.
Mas eu não sei o que sinto.
Não sei o nome que tem.
Queria dizer sim.
Ou dizer não.
Então, eu acabo mesmo, dizendo é nada.
E o nada nem é sim, nem não.
Quando não há o que ser dito.
E o que ser sentido.
A gente tem, apenas (apenas?) o silêncio.
Tipo isso.
Enviar uma carta.
Pra remetente nenhum.
O destinatário não foi encontrado.
E aí eu dei.
E recebi.
Só o silêncio.
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