sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sobre a fotografia

Eu nem sabia.
Mas a vida sempre sabe.

Aquela foto que eu tirei sua, e você agradeceu.
E eu gostei de tirá-la.
Foi uma forma de nos despedirmos.
Foi uma maneira - sutil - de dizer tchau.

Não é um até logo. Um "nos vemos por aí".
É tchau mesmo.
Passagem só de ida.

A gente vai se encontrar. 
Se re-encontrar. 

Mas o tchau já terá sido dito. Ainda que com a boca fechada.
Ainda que com as mãos nos bolsos.

Palavras e gestos não precisam estar sempre presentes.

Eu sei que eu te disse tchau.
Você vai perceber.
Ou não.

Não importa mais.
Se você percebe / não percebe os tchaus, eu não irei sinalizá-los.

Você me pediu - em ato - que eu dissesse tchau.
Ainda bem, meu pai tem uma filha obediente. 

Você pediu.
Eu disse.
Tchau.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Sobre cartas não enviadas

Eu queria abraçar.
Mas me faltam braços.

Queria receber abraços.
Mas me falta aconchego.

Queria escrever uma carta de amor.
E dizer, sim, que te amo.

Mas eu não sei o que sinto.
Não sei o nome que tem.

Queria dizer sim.
Ou dizer não.

Então, eu acabo mesmo, dizendo é nada.
E o nada nem é sim, nem não.

Quando não há o que ser dito.
E o que ser sentido.
A gente tem, apenas (apenas?) o silêncio.

Tipo isso. 
Enviar uma carta.
Pra remetente nenhum.
O destinatário não foi encontrado.
E aí eu dei.
E recebi.
Só o silêncio.