sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sobre psius

Eu era criança, não podia dizer.
Até podia. Mas teria consequências. Na pele. Do lado de dentro. De fora. De todos os lados.

Você me chamava com assobio.
E orgulha-se disso.

"Ainda bem, você sempre teve uma filha obediente".
É, eu era.
E sou.

Obediente e silenciosa. Sempre fui.
Hoje, mais.

Hoje, as palavras super-povoam-me.
Mas eu as guardo para mim.
Nem tudo precisa ser dito.

Nem os assobios.
A liberdade não é segurar / não segurar a criança.

A liberdade é dita no olhar.
Dita na cama, antes de dormir.
Dita dentro de casa. E na rua. E em qualquer lugar.

Liberdade não se ensina. Se apresenta.

Ainda bem, eu aprendi. 

E, com a liberdade e o silêncio - que são meus - eu digo, para você, agora, trinta-e-cinco-anos depois:

Eu preferia ser sempre chamada pelo meu nome.

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