[Escrito em 02 de dezembro de 2025]
Você me traiu. E me feriu.
E a desculpa (desculpa?) justificativa foi: eu esqueci.
E esqueceu depois de quatro dias. Ligou, chorando.
Eu não atendi. Não tinha o que conversar, mesmo.
A traição já tinha acontecido. E foi grave.
Não foi um fato. Um esquecimento. Você sabe.
Foi uma sucessão de abusos. Do meu corpo. Do meu tempo. Da minha (des) inteligência.
Eu já podia ter previsto, notado, entendido. Mas não.
A gente é traída quando a gente acredita, né? Eu acreditei. Acredito, acho, nas pessoas. Mesmo quando não as conheço.
Será que te conheço? Ainda me pergunto hoje, dois anos depois. Eu não sei.
Diria Jung que a gente nunca se conhece por inteiro. Você traria uma frase do Jung nesta hora.
Eu iria rir. Porque não há nada a dizer quando se traz a psicologia onde não entra psicologia.
A amizade é nua. Crua. Simples. E não houve.
Antes que você pense: eu não te perdoei. Por isso, o meu silêncio.
Vai, coloca lá o seu nome. Assina. Diz que foi seu.
Eu sei que não foi. Você sabe que não foi (eles não).
E isso é o bastante.
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